Te dizem que o país está quebrado. Te dizem quem é o culpado. Te obrigam a pagar tudo dobrado, trabalhar até morrer, comer veneno, e ser mal pago. Te dizem que o sacrifício é de todos e que Deus está do nosso lado, exceto de quem vive no pecado. Te fazem acreditar que se tudo der errado é porque você não tem se esforçado. E se properar na riqueza é por tanto ter trabalhado, sendo herança foi trabalho acumulado. E se a desgraça for por doença e fatalidade, reza e pede perdão, pra sofrer menos, se o dinheiro não sobrar pra mais nada além do pão.
Concorrência. Tantos os terreiros e centros de umbanda e candomblé quantos as igrejas neopentecostais se concentram nas periferias e favelas. Elas disputam um mesmo público em um mesmo espaço geográfico. Nas favelas e periferias estão as piores e mais frequentes mazelas. Drogas, violência doméstica, violência do tráfico, violência da polícia, falta de hospitais e escolas decentes. Na favela está concentrado o sofrimento geral que a pobreza causa. E tanto pastores e pastoras quanto pais e mães de santo estão atendendo e consolando essa gente sofrida. Cada uma consola a seu modo. Porém é comum as igrejas neopentecostais declararem ódio e intolerância abertamente contra "macumbeiros" como uma estratégia de manipulação e proveito da ignorância alheia. Um evangélico que mora na favela sempre tem um vizinho macumbeiro. O discurso do medo, do diabo, do feitiço, um pensamento medieval que ainda custa a vida e a honra das pessoas. Um macumbeiro não tem um evangélico como inimigo, a ...
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