Sempre sonhamos com coisas grandes e esquecemos das
pequenezas cotidianas, essas sim são grandiosas por natureza. O maior
legado que a gente pode deixar são as pessoas com quem nos relacionamos ao
longo de nossas jornadas; as maiores coisas, os maiores sonhos e os maiores
milagres residem nas mais simples ações. Daqui pra frente é tudo muito incerto,
a certeza de acordar todas as manhãs e ver os mesmos rostos darão espaço à
aflição de enfrentar uma nova realidade, mas, com o tempo, esse "novo e
assustador" lugar se tornará comum, um novo lar. E é assim que a vida
segue, mutante e inconstante, teremos sempre medo, mas um dia, como qualquer
ser vivo, a gente se acostuma.
Concorrência. Tantos os terreiros e centros de umbanda e candomblé quantos as igrejas neopentecostais se concentram nas periferias e favelas. Elas disputam um mesmo público em um mesmo espaço geográfico. Nas favelas e periferias estão as piores e mais frequentes mazelas. Drogas, violência doméstica, violência do tráfico, violência da polícia, falta de hospitais e escolas decentes. Na favela está concentrado o sofrimento geral que a pobreza causa. E tanto pastores e pastoras quanto pais e mães de santo estão atendendo e consolando essa gente sofrida. Cada uma consola a seu modo. Porém é comum as igrejas neopentecostais declararem ódio e intolerância abertamente contra "macumbeiros" como uma estratégia de manipulação e proveito da ignorância alheia. Um evangélico que mora na favela sempre tem um vizinho macumbeiro. O discurso do medo, do diabo, do feitiço, um pensamento medieval que ainda custa a vida e a honra das pessoas. Um macumbeiro não tem um evangélico como inimigo, a ...
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