Escalava uma parede. Fria, suja. No
meio da escuridão. Percebia uma luz. Quente. Estranha. Cheia de afeto. Acordei.
Percebi então aquele ser. Uma pessoa. De lá vinha o calor. O afeto. A luz. Emanava
dela algo invisível. Uma luz que orienta. Guia. Ensina. Esquenta. Esquenta meu
coração. Aquece meu ser. Meu dia começava. Apenas acordei. Apenas abri os
olhos. Olhei-me no espelho e senti certa juventude. Emocional. Espiritual. Na rua
me deparei com uma brisa. Fresca. Quase fria. Agradável. Continuei minha
caminhada, entre carros e pessoas. Entre a brisa fresca. Quase fria. Encontrei-me
então com sorrisos. Banhei-me de sorrisos. Sorrisos jovens. Tão jovens que, às
vezes, perdidos. Perdidos sem saber que estão. Jovens que vivem por viver. E isso
sim... Mal sabem eles. Isso sim é viver. Mesmo que dure pouco, bom mesmo é
viver por viver. E entre tantos sorrisos, sinceros ou não. Com afeto ou não. Percebi
que aquilo era como uma fonte de juventude. Como remédio pra doença do tédio. Um
banho de água sagrada. Que lava minha alma. Conforta meu coração. Acalma meu
ser. Eu. Eu mesmo. Não posso viver por viver. Não mais. Mas posso sorrir por
sorrir. E sorrir pra quem vive por viver.
Concorrência. Tantos os terreiros e centros de umbanda e candomblé quantos as igrejas neopentecostais se concentram nas periferias e favelas. Elas disputam um mesmo público em um mesmo espaço geográfico. Nas favelas e periferias estão as piores e mais frequentes mazelas. Drogas, violência doméstica, violência do tráfico, violência da polícia, falta de hospitais e escolas decentes. Na favela está concentrado o sofrimento geral que a pobreza causa. E tanto pastores e pastoras quanto pais e mães de santo estão atendendo e consolando essa gente sofrida. Cada uma consola a seu modo. Porém é comum as igrejas neopentecostais declararem ódio e intolerância abertamente contra "macumbeiros" como uma estratégia de manipulação e proveito da ignorância alheia. Um evangélico que mora na favela sempre tem um vizinho macumbeiro. O discurso do medo, do diabo, do feitiço, um pensamento medieval que ainda custa a vida e a honra das pessoas. Um macumbeiro não tem um evangélico como inimigo, a ...
Muito bom!
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